O Barrense


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Eu te escolheria

Se tem uma coisa na vida que foge da nossa compreensão e controle são as vontades do nosso coração. Ou tem sentido as paixões e amores que você viveu? Alguns foram bons enquanto duraram, outros serviram apenas para não repetirmos o mesmo erro. Acontece com quase todo mundo e se não aconteceu contigo, bem, senta e espera. E tem mais: O amor não é uma escolha. Aquele belo par de olhos pode não combinar com a gente e faz parte. Sabe quando o santo não bate? Vida que segue. E deixe rolar, porque pode acontecer numa sexta à noite que tu colocou a melhor roupa, mas nada impede que role numa quarta chuvosa, no final do expediente.

O amor tem dessas, ele não pede licença e não manda aviso. Chega quando der na telha, nos pegando de surpresa. E talvez isso só aconteça por estarmos de guarda baixa e sem expectativas. De repente estamos igual ao boxeador desavisado, na lona, sem entender nada. Não sabendo de onde surgiu o golpe que nos faria ver estrelas.

Isso é amor, desde o primeiro dia. E com alguma sorte ele vai maturar, feito um vinho, que quanto mais velho, melhor. Com o tempo a gente se pega amando até o jeito desastrado dela de ser.

O amor não é uma escolha, mas de que importa se você escolheria ela outras mil vezes?

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Para Austrália

Volte logo

Dê seu jeito

Venha como for

Por céu,

terra

ou mar

Contanto que retorne

Que saudade não mais define

A falta que tu causa

É mais

Até as paredes da sala

Sentem tua falta

Pois a vida

Por mais bonita que seja

Não é a mesma

Contigo há quinze mil e uns quilômetros de distância

Ou tu vens

Ou a geografia que me perdoe

Mas o Brasil terá que mudar de continente


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O troco certo

Após se tornar empresário você vê o mundo com outros olhos. Atento a tudo que acontece ao seu redor, observando e absorvendo o tanto que outras empresas têm a oferecer. Tudo pode ser adaptado e replicado. É uma conta simples de difícil aplicação no mundo real. E ultimamente tenho reparado num pequeno deslize: o troco. Por vezes são centavos que não fariam a mínima diferença frente a possibilidade de perder um cliente, ou vários. O marketing boca-a-boca se faz presente no interior, onde notícia boa anda rápido e notícia ruim voa. E não há nada pior para uma empresa do que ser rotulada de caloteira, uma mancha que dificilmente será removida. É batata: o empreendimento acaba perdendo seu maior patrimônio, o cliente.

Aqui explico um caso que aconteceu comigo: consumi doze reais e dez centavos num estabelecimento. No momento de pagar a pessoa do caixa perguntou se eu não tinha os famigerados dez centavos. Disse que não, há algum tempo perdi o hábito de carregar moedas, pois as guardo num cofrinho ou uso de troco na minha empresa. Após minha negativa e para minha surpresa, a pessoa arredondou o valor para TREZE reais. Não questionei e achei de uma avareza imensa. Ela não sabe, mas no momento em que ganhou noventa centavos em cima de mim, acabou perdendo um cliente. E como se não fosse possível, a situação piora: quem estava no caixa era uma das proprietárias. Essa é outra vantagem de morar no interior, o contato direto com o proprietário.

O que aprendi com essa experiência? Como cliente achei um desaforo, não pelo valor em questão, mas pela atitude mesquinha (antes tivesse me dado a diferença do troco em balas). Como empresário uma valiosa lição: tenho certeza que ao ganhar alguns tostões ela não ficará mais rica, pelo contrário, se isso for artimanha recorrente, é muito provável que em breve o estabelecimento vá pelo ralo por simples ganância.

Aqui no sul há um ditado: o olho do dono que engorda o gado. Ou seja, a empresa não irá prosperar nas mãos de funcionários. Da a entender que o empreendedor precisa atuar em todas as frentes da empresa. Nem sempre, nem sempre, as vezes o olho grande do dono acaba prejudicando e fazendo com que a boiada vá pastar em outra freguesia.


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Casar é uma questão de tempo

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Na mesa de bar rodeado de solteiros convictos, contando vantagem por suas conquistas da noite passada, logo viro motivo de chacota ao ser o único em um relacionamento sério. E pior, com data marcada para o casamento. Enquanto eles riem, meu pensamento segue nela. O jeito de fechar os olhos enquanto sorri segue me encantando, é feito feitiço que se renova a cada dia.

Eles não entendem, ainda. E é melhor que seja assim: o amor chega para os desavisados. De mansinho. Como quem não quer nada. Com um jeitinho mineiro de ser. E quando eles se derem por conta, aconteceu.

Comigo não foi diferente. Num dia qualquer nossos caminhos se cruzaram e foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Naquela noite eu conheci a mulher com quem eu quero passar o resto dos meus dias. Na saúde e na doença; na alegria e na tristeza.

Hoje minhas noites de sexta em frente à lareira assistindo seriado na Netflix superam baladas superlotadas. Acho que nem preciso comentar das manhãs preguiçosas de domingo com café da cama, não é?!

Não menosprezo a solteirice, é uma fase em que todos precisamos vivenciar, mais que isso: aproveitar. E quando maduros o suficiente para a chegada do amor, saber desfrutá-lo em sua plenitude. Pois nada se compara a sensação de amar e ser amado. Poucas coisas no mundo são mais reconfortantes do que reciprocidade.

“E precisa casar?” eles me perguntam. Precisa! É o processo natural de todo relacionamento.

Você conhece alguém e começa a flertar despretensiosamente; o lance é legal e continuam saindo; brota um ciúmes de vez em quando, discussões sobre o que rola entre vocês e namorar passa a não ser uma má ideia; namoram, por um longo, longo tempo; surge a tradicional dúvida: casar ou comparar uma bicicleta?; ela diz “sim” para o pedido; e casam.

Um passo de cada vez e quando você percebe está no altar, ao lado da pessoa que ama. Oficializando o mais nobre dos sentimentos.

Meus amigos seguem estufando o peito para dizer que com eles será diferente. Eu apenas sorrio, com a certeza que cedo ou tarde a hora deles vai chegar. Como chega para todo mundo. Se até George Clooney se rendeu aos encantos do amor e casou, imagine nós, meros mortais. É tudo questão de tempo, um pouco de sorte e deixar que o destino se encarregue do resto.


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Estou apaixonado… pela minha empresa

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Confesso que não foi amor a primeira vista. Ela sequer era minha segunda opção. Nos conhecíamos há algum tempo e jamais imaginaria que ela viria a ser minha grande paixão. A bem da verdade eu desdenhava desta que hoje não vivo sem.

Foi num destes tantos floreios da vida que fui fisgado. De um dia para o outro comecei a perder noites de sono pensando nela. Quebrei cabeça até tomar coragem e assumir, de peito aberto, que era ela quem eu desejava.

O resultado dessa repentina e avassaladora paixão só poderia ser um: querer. Eu a queria, mais do que nunca, mas meu conhecimento era raso e limitado frente ao oceano revolto e repleto de tubarões que é o mundo do empreendedorismo. Ali estava eu, um educador físico a frente duma micro-cervejaria. Adentrando num universo completamente desconhecido para mim. O universo do empreendedorismo.

Eu não tinha ideia de onde estava me metendo, acredito que ainda não tenho, mas não tenho como negar: é fascinante empreender.

É como ser capitão do seu próprio navio. Tomar atitudes e lidar com as consequências. É se reinventar. Se adaptar ao meio para sobreviver. Porque o mundo do empreendedorismo imita a vida, onde é preciso mais resiliência do que força. É necessário jeito. Ter feeling. Ser de tudo um pouco quando sua empresa possui orçamento escasso. É sonhar e colocar a mão na massa para um dia realizá-lo.

Ainda estou engatinhando e não tenho certeza se estou na direção certa. Contudo, tracei rota e sei onde quero chegar. Ao mesmo tempo compreendo que a jornada é longa e cansativa. Haverá percalços e serei testado inúmeras vezes. Cabe a mim não desistir e manter acesa a chama que arde em meu peito. Manter a rota, apesar de tudo.

Caberá ao tempo dizer se minha paixão se tornará numa linda história de amor ou noutra paixão fugaz, outra que não resistiu ao tempo e pereceu.

Algo me diz que iremos contrariar as estatísticas e “subir ao altar”, porque, neste curto espaço de tempo, passei a compreender o empreendedorismo duma maneira diferente. A meu ver, empreender não pode ser resumido a um simples negócio. Vejo como extensão de meu corpo, com personalidade e alma. Algo inclassificável que me desafia diariamente e me faz sentir vivo, em toda plenitude da palavra: causando-me euforia, alegria, tristeza, raiva, ansiedade e etc.

Não sei até quando irei suportar esse turbilhão de sentimentos, mas a cada dia que passa me torno mais dependente dele. É minha cachaça.

Essa é minha declaração de amor a minha empresa. Espero que minha esposa entenda e apoie essa “relação” extraconjugal.


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Amar é ralar o joelho

Você já notou que alguns para sempre acabam? E se era pra sempre, onde que foram parar às juras eternas de amor? Muitos casais não passam do primeiro capítulo e colocam fim em suas histórias. Acontece, e muito, porque para amar é preciso ceder de vez em quando, perdoar e pedir perdão, é enxergar beleza até nos dias nublados de chuva. Porque amar é passar perrengue, juntos. É enfrentar o mundo ao lado da pessoa que fecha contigo. Amar é uma caminhada de mãos dadas, e essa caminhada é longa.

O início da jornada a dois é dos melhores momentos que um casal pode ter. E aqui vai a má notícia: nem sempre será assim. Na vida a dois a gente tropica, resvala e até cai. Rala o joelho e pragueja contra o mundo. A dor é passageira e o que precisa ficar é o aprendizado para não repetirmos os mesmos tropeços. É feito andar de bicicleta: cair é normal e nem por isso a gente desiste. É preciso persistência e com o tempo a gente aprende as artimanhas. Até porque onde tá escrito que amar é fácil? Se lidar somente com nossos sentimentos é complicado, imagine quando envolve outra pessoa. É dor de cabeça na certa. Só calma lá, pra tudo nessa vida tem remédio.

Se envolver tá parecendo um quebra-cabeça de tão complicado e é, porque cada relação é um universo em particular, repleto de particularidades e acontecimentos que formam aquele casal em especial, mas eu ainda tenho fé de que as pessoas amem mais e insistam um pouco mais, que não desistam tão cedo. Porque o amor não é uma causa perdida. É das coisas mais lindas que pode acontecer na vida. Amar é a satisfação que poucos têm de completar o quebra-cabeça.


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Isso não é amor

Você pode negar até o fim, mas sempre soube que estava perto do fim. A gente sabe quando tudo está desmoronando. É um mecanismo de auto defesa, uma chance de não nos machucarmos ainda mais. Infelizmente não damos ouvidos e preferimos nos agarrar as pequenos boas lembranças. Que a bem da verdade nem foram tão boas assim. E são nelas que moram a esperança de tudo mudar. De erros não serem repetidos, de atitudes diferentes e reciprocidade de tudo que oferecemos aquela pessoa.

Por mais que desejamos, água mole em pedra dura tanto bate, bate, bate, bate e nada acontece. Pessoas não mudam só porque é nosso desejo. Dificilmente se transformam, elas simplesmente são, e temos que aceitar. Seguir em frente. Não desperdice seu tempo e não se culpe tanto por não ter feito A ou B, você fez até demais. E se essa pessoa não deu valor, paciência. É do jogo.

A paixão cega e faz com que o coração fale mais alto. E por mais que o amor seja o sentimento que norteie nossas vidas, em certos momentos é preciso ouvir a voz da razão e recuar. Esfregue bem os olhos e veja para onde isso que você chama de “amor” te levou. Chega de achar que aquele alguém te ama. É simples: ou ama ou não ama. Não existe meio termo para o amor. E pare de criar justificativas para insistir do tipo: “Ele só não sabe”, ah sabe. Se houvesse amor você seria prioridade e quem é prioridade na vida de outra pessoa sabe, ah se sabe.

Então não vá longe demais numa relação por nutrir sentimentos que não são correspondidos. Não se doe tanto assim a quem não faz por merecer. Coloque um ponto final nessa história para que outra possa começar. E tenha paciência, geralmente o amor encontra os desavisados. E quando ele chegar você saberá. É diferente de tudo que viveu até aqui. Não tem como confundir.