O Barrense


Deixe um comentário

Você será feliz

20140717-144939-53379487.jpg

– Você ainda vai ser a pessoa mais feliz do mundo.
– Vó, você tem noventa anos e sabe que isso não existe.
– Não existe, mas existe um pouco. O mundo não é esse caos todo que pintam.

De fato, não existia. Aos noventa anos você vê o mundo sob uma ótica diferente. Realista. Mas, você precisa ser forte. Acreditar em algo. Ao menos tentar. E, aos noventa anos, essa senhora sabe, mais do que ninguém, que o pior dos sentimentos é o de não ter perspectiva alguma quanto a seu futuro. É angustiante ficar parado enquanto o mundo a sua volta se move. Por mais realista que você seja, a esperança é a última a morrer. E do que são feitos nossos sonhos que não de esperança e ilusão?

Anúncios


Deixe um comentário

Um samba para a Austrália

Numa dessas noites quaisquer de sono, um certo alguém invadiu meus sonhos para tornar uma noite fria de inverno num sonho que eu não queria acordar. Sonhava que compunha um samba com Cartola, sambista carioca, em plena Vila Isabel, vá entender o porque, já que Cartola era da Mangueira. Ele com seu tradicional óculos escuros e cigarro entre os dedos, cantarolava palavras perdidas que logo logo se transformariam numa harmoniosa canção. E foi assim, como num piscar de olhos, o samba estava escrito. E ele me sorria, como quem dizia: viu, é fácil.

Acordei e infelizmente não lembrei do samba. Em compensação peguei a caneta e aproveitei a inspiração. Escrevi um para meu irmão que mora na Austrália. E num samba descrevi pra ele a situação do nosso país e que por hora ele fique por lá, do outro lado do planeta.

O prognóstico não é bom

Ô meu irmão

Não volte não;

Que o Brasil virou terra de ninguém

Vale sequer um vintém

.

Nossa voz não é ouvida

Viramos barco à deriva;

Sem capitão

Rumo certo ou direção

.

Ô meu irmão

Não embarque nesse avião

Enrole outro inglês e pense melhor

As coisas aqui vão de mal a pior

.

Antes de voltar

Espere a poeira baixar

Vem tempo feio por aí

A gente segura as pontas daqui

Sabendo que o que nos resta é esperar

Contar com a sorte e orar


Deixe um comentário

Eu te escolheria

Se tem uma coisa na vida que foge da nossa compreensão e controle são as vontades do nosso coração. Ou tem sentido as paixões e amores que você viveu? Alguns foram bons enquanto duraram, outros serviram apenas para não repetirmos o mesmo erro. Acontece com quase todo mundo e se não aconteceu contigo, bem, senta e espera. E tem mais: O amor não é uma escolha. Aquele belo par de olhos pode não combinar com a gente e faz parte. Sabe quando o santo não bate? Vida que segue. E deixe rolar, porque pode acontecer numa sexta à noite que tu colocou a melhor roupa, mas nada impede que role numa quarta chuvosa, no final do expediente.

O amor tem dessas, ele não pede licença e não manda aviso. Chega quando der na telha, nos pegando de surpresa. E talvez isso só aconteça por estarmos de guarda baixa e sem expectativas. De repente estamos igual ao boxeador desavisado, na lona, sem entender nada. Não sabendo de onde surgiu o golpe que nos faria ver estrelas.

Isso é amor, desde o primeiro dia. E com alguma sorte ele vai maturar, feito um vinho, que quanto mais velho, melhor. Com o tempo a gente se pega amando até o jeito desastrado dela de ser.

O amor não é uma escolha, mas de que importa se você escolheria ela outras mil vezes?


Deixe um comentário

Para Austrália

Volte logo

Dê seu jeito

Venha como for

Por céu,

terra

ou mar

Contanto que retorne

Que saudade não mais define

A falta que tu causa

É mais

Até as paredes da sala

Sentem tua falta

Pois a vida

Por mais bonita que seja

Não é a mesma

Contigo há quinze mil e uns quilômetros de distância

Ou tu vens

Ou a geografia que me perdoe

Mas o Brasil terá que mudar de continente


Deixe um comentário

O troco certo

Após se tornar empresário você vê o mundo com outros olhos. Atento a tudo que acontece ao seu redor, observando e absorvendo o tanto que outras empresas têm a oferecer. Tudo pode ser adaptado e replicado. É uma conta simples de difícil aplicação no mundo real. E ultimamente tenho reparado num pequeno deslize: o troco. Por vezes são centavos que não fariam a mínima diferença frente a possibilidade de perder um cliente, ou vários. O marketing boca-a-boca se faz presente no interior, onde notícia boa anda rápido e notícia ruim voa. E não há nada pior para uma empresa do que ser rotulada de caloteira, uma mancha que dificilmente será removida. É batata: o empreendimento acaba perdendo seu maior patrimônio, o cliente.

Aqui explico um caso que aconteceu comigo: consumi doze reais e dez centavos num estabelecimento. No momento de pagar a pessoa do caixa perguntou se eu não tinha os famigerados dez centavos. Disse que não, há algum tempo perdi o hábito de carregar moedas, pois as guardo num cofrinho ou uso de troco na minha empresa. Após minha negativa e para minha surpresa, a pessoa arredondou o valor para TREZE reais. Não questionei e achei de uma avareza imensa. Ela não sabe, mas no momento em que ganhou noventa centavos em cima de mim, acabou perdendo um cliente. E como se não fosse possível, a situação piora: quem estava no caixa era uma das proprietárias. Essa é outra vantagem de morar no interior, o contato direto com o proprietário.

O que aprendi com essa experiência? Como cliente achei um desaforo, não pelo valor em questão, mas pela atitude mesquinha (antes tivesse me dado a diferença do troco em balas). Como empresário uma valiosa lição: tenho certeza que ao ganhar alguns tostões ela não ficará mais rica, pelo contrário, se isso for artimanha recorrente, é muito provável que em breve o estabelecimento vá pelo ralo por simples ganância.

Aqui no sul há um ditado: o olho do dono que engorda o gado. Ou seja, a empresa não irá prosperar nas mãos de funcionários. Da a entender que o empreendedor precisa atuar em todas as frentes da empresa. Nem sempre, nem sempre, as vezes o olho grande do dono acaba prejudicando e fazendo com que a boiada vá pastar em outra freguesia.


Deixe um comentário

Casar é uma questão de tempo

1_4SXsZjKsLljFEhBVJr2wpw

Na mesa de bar rodeado de solteiros convictos, contando vantagem por suas conquistas da noite passada, logo viro motivo de chacota ao ser o único em um relacionamento sério. E pior, com data marcada para o casamento. Enquanto eles riem, meu pensamento segue nela. O jeito de fechar os olhos enquanto sorri segue me encantando, é feito feitiço que se renova a cada dia.

Eles não entendem, ainda. E é melhor que seja assim: o amor chega para os desavisados. De mansinho. Como quem não quer nada. Com um jeitinho mineiro de ser. E quando eles se derem por conta, aconteceu.

Comigo não foi diferente. Num dia qualquer nossos caminhos se cruzaram e foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Naquela noite eu conheci a mulher com quem eu quero passar o resto dos meus dias. Na saúde e na doença; na alegria e na tristeza.

Hoje minhas noites de sexta em frente à lareira assistindo seriado na Netflix superam baladas superlotadas. Acho que nem preciso comentar das manhãs preguiçosas de domingo com café da cama, não é?!

Não menosprezo a solteirice, é uma fase em que todos precisamos vivenciar, mais que isso: aproveitar. E quando maduros o suficiente para a chegada do amor, saber desfrutá-lo em sua plenitude. Pois nada se compara a sensação de amar e ser amado. Poucas coisas no mundo são mais reconfortantes do que reciprocidade.

“E precisa casar?” eles me perguntam. Precisa! É o processo natural de todo relacionamento.

Você conhece alguém e começa a flertar despretensiosamente; o lance é legal e continuam saindo; brota um ciúmes de vez em quando, discussões sobre o que rola entre vocês e namorar passa a não ser uma má ideia; namoram, por um longo, longo tempo; surge a tradicional dúvida: casar ou comparar uma bicicleta?; ela diz “sim” para o pedido; e casam.

Um passo de cada vez e quando você percebe está no altar, ao lado da pessoa que ama. Oficializando o mais nobre dos sentimentos.

Meus amigos seguem estufando o peito para dizer que com eles será diferente. Eu apenas sorrio, com a certeza que cedo ou tarde a hora deles vai chegar. Como chega para todo mundo. Se até George Clooney se rendeu aos encantos do amor e casou, imagine nós, meros mortais. É tudo questão de tempo, um pouco de sorte e deixar que o destino se encarregue do resto.


Deixe um comentário

Estou apaixonado… pela minha empresa

1_LeSfTG6lw-zM--egp8O_Qg

Confesso que não foi amor a primeira vista. Ela sequer era minha segunda opção. Nos conhecíamos há algum tempo e jamais imaginaria que ela viria a ser minha grande paixão. A bem da verdade eu desdenhava desta que hoje não vivo sem.

Foi num destes tantos floreios da vida que fui fisgado. De um dia para o outro comecei a perder noites de sono pensando nela. Quebrei cabeça até tomar coragem e assumir, de peito aberto, que era ela quem eu desejava.

O resultado dessa repentina e avassaladora paixão só poderia ser um: querer. Eu a queria, mais do que nunca, mas meu conhecimento era raso e limitado frente ao oceano revolto e repleto de tubarões que é o mundo do empreendedorismo. Ali estava eu, um educador físico a frente duma micro-cervejaria. Adentrando num universo completamente desconhecido para mim. O universo do empreendedorismo.

Eu não tinha ideia de onde estava me metendo, acredito que ainda não tenho, mas não tenho como negar: é fascinante empreender.

É como ser capitão do seu próprio navio. Tomar atitudes e lidar com as consequências. É se reinventar. Se adaptar ao meio para sobreviver. Porque o mundo do empreendedorismo imita a vida, onde é preciso mais resiliência do que força. É necessário jeito. Ter feeling. Ser de tudo um pouco quando sua empresa possui orçamento escasso. É sonhar e colocar a mão na massa para um dia realizá-lo.

Ainda estou engatinhando e não tenho certeza se estou na direção certa. Contudo, tracei rota e sei onde quero chegar. Ao mesmo tempo compreendo que a jornada é longa e cansativa. Haverá percalços e serei testado inúmeras vezes. Cabe a mim não desistir e manter acesa a chama que arde em meu peito. Manter a rota, apesar de tudo.

Caberá ao tempo dizer se minha paixão se tornará numa linda história de amor ou noutra paixão fugaz, outra que não resistiu ao tempo e pereceu.

Algo me diz que iremos contrariar as estatísticas e “subir ao altar”, porque, neste curto espaço de tempo, passei a compreender o empreendedorismo duma maneira diferente. A meu ver, empreender não pode ser resumido a um simples negócio. Vejo como extensão de meu corpo, com personalidade e alma. Algo inclassificável que me desafia diariamente e me faz sentir vivo, em toda plenitude da palavra: causando-me euforia, alegria, tristeza, raiva, ansiedade e etc.

Não sei até quando irei suportar esse turbilhão de sentimentos, mas a cada dia que passa me torno mais dependente dele. É minha cachaça.

Essa é minha declaração de amor a minha empresa. Espero que minha esposa entenda e apoie essa “relação” extraconjugal.