O Barrense


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Ela

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Vaga um corpo de mulher
marcado pela ousadia de
não entregar sua vida
ao comum e triste fim
de uma rotina.

Chora a dor uma mulher
que busca ser incomum
não se deixando levar
para um fim de iguais
seres comuns.

Alça vôo uma mulher
que cansou de em terra pisar,
esgotou o gesto amadurecido
quer agora é recuperar o gosto esquecido.

Olha ao longe uma mulher
que sonha em deixar para trás
um horizonte perdido,
criando um novo amanhecer dentro
de um velho anoitecer.

Rasga o livro uma mulher
que não quer histórias sem prazer
ela busca no enredo
a própria vida sem medo.

Se não for assim,
não vale a vida viver e o sonho de mulher
em pesadelo de menina irá morrer.


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Investimento de risco

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Talvez, só talvez, eu não devesse depositar minhas economias em você. Não é muito, é só minha vida. O estrato diz: Um pouco de amor, outro cadinho de carinho, algo de cumplicidade, uma ponta de ciúmes, uma resta de paixão. Meu saldo é positivo, mas você não tem ideia do quanto andei no negativo. Andei desacreditado e confesso que era bom, porque assim ninguém te machuca, ninguém te engana, ninguém te ilude e ninguém vai embora. Até conhecer você. Acordei no teu sorriso.

Os analistas me disseram que você é feito a bolsa de valores: instável. Investimento de risco. Me aconselharam a aplicar em títulos de médio e longo prazo, desses de retorno garantido num futuro próximo. Foram claros: fique longe dela!

Mas, porque não correr riscos? Você pode ser a solução problemática pra minha vida problemática. Quero correr todos os riscos ao teu lado. Correr o risco de viver uma vida ao teu lado, a mais bela que pudermos. De me perder e refazer caminhos ao teu lado.

Sabe, já faz muito tempo que eu não sinto muita coisa por muitas pessoas, até você aparecer. Tenho a sensação de que com você será diferente, porque você é diferente. É por você que tanto esperei, e esperaria uma vida. É uma vontade inexplicável de dividir meus dias com você. De somar minha vida com a tua. Vontade até de dividir meus domingos monótonos ao teu lado.

Olha só, moça, vê se olha com carinho a minha “proposta”. Eu também tenho tanto medo. E sei que o tempo anda difícil e a vida tropeçando, mas não quero dividir meu caminho com mais ninguém. Não quero voltar sozinho pra casa, nem hoje e muito menos amanhã. Já não me vejo em um mundo no qual você não exista, então fica aqui, não desaparece não.

Contrariando os analistas, vou aplicar tudo que me resta em você. Aplico/Entrego minha parte mais frágil nas suas mãos, e não faço ideia do que você fará com ela. Sou um alguém aqui querendo ser mais que qualquer alguém pra você.


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O que tenho a te oferecer

CASAL-ROMÂNTICO

Esqueça o “era uma vez…” e “viveram felizes para sempre” que te venderam. Desculpe! Não posso te prometer um conto de fadas. Ou qualquer romance já idealizado. A vida é mais dura e densa que no papel ou o glamour do cinema. Ah, esqueça também o príncipe encantado que virá montado num cavalo branco.

O que tenho a te oferecer é isso: quero a historia mais linda que pudermos viver, e quem sabe nosso romance não se torna um livro? Te ofereço uma vida ao meu lado, essa que começa após o “viveram felizes para sempre”. Quero dividir a calçada com você. Ajustar meu paço ao teu. Entrelaçar meus dedos nos seus. Quero que tua vida se enrosque na minha, feito nó cego, pra não desatar mais. Quero viver os detalhes. Quero ser o maior detalhe da tua vida. E coloco nas tuas mãos minha parte mais frágil. Não é muito. Somente um coração despedaçado e calejado. Cansado, que nem sabe mais o que procura, mas, de alguma maneira, te encontrou. Encontrei o conforto em teus braços. Me perdi no teu sorriso.  E não resisto ao encanto dos teus olhos.

Esse mundo é grande demais pra eu viver nele sozinho e por isso escolhi você pra dividir os dias comigo, você quer?


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Amar é

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Amar é navegar num barquinho a remo. Ocupação máxima: duas pessoas, sem exceções. Amar é traçar rota e compreender que você depende da pessoa ao seu lado. É se deixar levar sem estar à deriva. É tornar leve o deslizar nas águas por dividir o “esforço” – ainda que amar jamais seja um fardo, e quando for, não é amar. Não é aconselhável remar solitariamente numa relação a dois, além de calejar as mãos, fere o coração. A sincronia é essencial, caso contrário o barquinho navegará em círculos, jamais sairá do lugar – e corre o risco de criar um redemoinho e acabar naufragando no mar de desilusões.

Amar é navegar em águas profundas. É ter noção dos perigos que o cercam e mesmo assim enfrenta-los. Amar é ver o barquinho fazer água e não se apavorar. Amar é navegar contra a maré. Amar é ultrapassa longos períodos de calmaria, até que uma tormenta vem e faz sacolejar mais do que folião descendo as ladeiras de Olinda. É cruzar portos distantes sem saber se vai voltar. É nostalgia do que ficou para trás, vontade de buscar o futuro. É se entregar nesse imenso oceano que é a vida.

Amar é navegar. Então reme. Ame.


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“Vem”

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“Vem, depois te explico. Só vem”, disse ela, agarrando meu braço e me tirando da abstinência de não amar. De me pertencer. De não me entregar. Esse “vem” que é muito mais do que ir. É confiar. É não resistir (e teria como?). É ir sem saber pra onde, porque basta saber que é com você. Porque amar é acreditar no impossível e, em raríssimas oportunidades, ser surpreendido.

Entregar minha vida nas tuas mãos. Você não sabe o quanto é difícil e doloroso. Quero mas tenho receio. Devo mas tenho medo. Difícil porque tenho uma alma calejada. Um coração despedaçado. Um passado recente. Na minha imaginação o hoje ainda é ontem e esse ontem é um período da minha vida que não quero reviver.

Então surge você. Leve como a brisa. Que me desmonta feito uma casinha de lego quando sorri. “Só vem”, disse você, sem garantias ou caminho certo. “Vem”, e já não me importo mais com o que deixei para trás. Fecho os olhos e faça um pedido: que dê certo essa vez. Fecho os olhos e me entrego a você, como folhas soltas levadas pelo vento. Sem destino, mas sabidas que precisam ir.

Vou , sem medir consequências. Se quiser, nem me explique, apenas vamos. É essa vontade incontrolável de dividir meu dias com você. E deposito em você meu fio de esperança, não é muito, é só minha vida.

Soltei o mundo para segurar a sua mão. Agora me leva, me tira daqui, só não solta minha mão.


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Sete dias sem ela

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Sabe quando o coração para de funcionar por alguns segundos? A noção de tempo se perde? Como se tudo ao seu redor evaporasse, assim, num passe de mágica? Como se ligassem um interruptor em você, duma área até então desconhecida? Como se o mundo fosse só você e ela? Então…O que posso dizer a vocês? Já sei: a curva mais bela de uma mulher é seu sorriso. Vocês precisam ver o sorriso dela. Os olhos dela. Preciso apresentar ela a vocês.

Conhecemos pessoas diariamente, mas conhecer a pessoa com quem você quer passar o resto dos seus dias é inconfundível. É marcante. Você apenas deseja estar ao lado dela, e dane-se o mundo. Mas você sabe o quanto é difícil estar longe da pessoa amada, até por alguns minutos, ou horas, quiçá dias. Agora imagine uma semana inteira. Sete longos e intermináveis dias. Você ira se surpreender pelo que se passa na cabeça dum homem em sete dias.

Primeiro dia: Estou em estado de graça. As primeiras vinte e quatro horas distante dela são anestesiadas pelo fatídico encontro do dia anterior. Não há duvidas, é ela. É por ela que eu procuro, todos os meus dias. Passei o dia relembrando cada instante ao lado dela.

Segundo dia: Ao final do dia, quando eu sinto as pálpebras se fecharem e os cílios se encontrarem é o seu rosto que eu imagino, ensaio um sorriso e o sono mais tranquilo me invade. Aí eu acordo no dia seguinte e percebo que meu primeiro pensamento é seu e involuntariamente começo a sorrir. Inicio o processo de fantasiar um futuro ao lado dela. Guardo uma vida pra ela. Meu dia se resume a ela. Acho que estou apaixonado.

Terceiro dia: Uma palavra resume meu dia: Saudade. Palavra de sete letras. O nome dela tem sete letras (Lembre-se: fiquei sete dias distante dela). Maldita saudade que brota no meu peito. Ah, acho que estou odiando o numero sete.

Quarto dia: Já estou nomeando minha saudade. Essa danada que criou raízes no meu peito. Volta e meia me pego olhando as fotos dela, uma medida de contornar a saudade. Ao lado da minha cama tem um criado mudo e nele deposito um bloquinho, pra escrever algo na madrugada, geralmente entre sonhos, para lembrar no dia seguinte. Aí eu acordo e percebo que escrevi uma coisa enquanto dormia: teu nome. Deve ser o medo de te esquecer ou a necessidade de te fazer lembrar.

Quinto dia: Cento e vinte horas, sete mil e duzentos minutos, quatrocentos e trinta e dois mil segundos, distante dela. Se pudesse, arrancaria de uma vez só o que tenho no peito. Tenho medo de ligar e parecer carente. Medo de não procurar e demonstrar indiferença. Não sei o que tenho de fazer, mas preciso. Preciso reencontra-la.

Sexto dia: A saudade é tamanha que não cabe no peito. Transbordo. Não tenho vontade de sair da cama. E, como se não bastasse, ela não corresponde minhas mensagens. Pior. Visualiza e sequer se da ao trabalho de responder. Fico tecendo milhões de teses a respeito da nossa “relação”:

  • Ela teria outro?
  • Fui só mais um na vida dela?
  • Nosso primeiro encontro foi tão ruim assim?
  • Será que ela me esqueceu?
  • Isso é um jogo? (se é, não sei jogar)
  • Devo desistir?

(Não! Desistir do que? Nós sequer iniciamos alguma coisa. Desistir da história mais linda que pudermos viver? Jamais!)

Paramos por aqui, mas haveria outras tantas possibilidades. Preciso falar da saudade? Eu mato essa saudade ou ela me mata. Meu corpo é pequeno demais para nós dois. Meu dia termina com trilha sonora sugestiva: Ana Carolina. Estou ficando neurótico.

Sétimo dia: Finalmente tomo iniciativa e proponho o encontro. Ela aceita. ELA ACEITA.

(Pausa para ouvirmos meu coração: Tum, Tum Tum, Tum Tum Tum, Tum Tum Tum Tum)

Sabe aquela sensação de ser o homem mais feliz do mundo? De realmente querer abraçar uma arvore? De enxergar a beleza até nos momentos de angustia ao seu redor? Quero dividir a calçada com ela. Ajustar meu paço ao dela. Entrelaçar meus dedos nos dela. Quero que a vida dela se enrosque na minha, feito nó cego, pra não desatar mais. Quero viver os detalhes. Quero que ela seja o maior detalhe da minha vida.

Minha saudade quase se extingue – claro, só acabará de vez quando a encontrar – por marcar o reencontro com ela. Toda desconfiança e temor evaporam. Novamente sou tomado por um misto de nervosismo, ansiedade e alegria: vou vê-la. Um turbilhão de sentimentos no meu peito.

Oitava dia: reencontrei ela.

Fica – pra sempre. Encontra uma desculpa pro mundo, só não arranja uma desculpa pra nós.


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A necessidade do encontro

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Conheceram-se num desses tantos aplicativos que propõem o encontro casual entre indivíduos próximos geograficamente. Iniciaram a conversa como qualquer outra, sem pretensão alguma de tornar aquilo um romance tórrido e avassalador. De uma maneira peculiar e inexplicável a conversa entre ambos fluía. Como se fossem velhos conhecidos. Passavam horas trocando amenidades.

Íntimos sem nunca terem se conhecido. Jamais houve uma troca de olhares. O sorriso envergonhado pelo elogio rasgado.

E, numa dessas tantas conversas no campo virtual:

- Se nos encontrássemos, tu me reconheceria?
– Que tipo de pergunta é essa?
– Do tipo necessária. Nos falamos apenas virtualmente.
– Claro que te reconheceria.
– Como tem tanta certeza?
– Como não reconheceria meu amor? Você sabe o quanto é importante ou se tornou importante? E mesmo assim você diz que eu não te reconheceria? Não reconheceria a mulher ímpar e única que entrou na minha vida e tornou minha cabeça um turbilhão? Que virou meu mundo de pernas pro ar? Minha alma gêmea.
– Você acredita em alma gêmea?
– Acredito que haja um grupo de almas gêmeas. Não é aquela coisa “Luan & Vanessa”, do nome escrito na areia. Há um conjunto de pessoas que, de forma inexplicável, se ligam. E assim vão vivendo, se amando das mais diversas maneiras. Do tipo eu e você.
– E a distância?
– Mas que distância? Onde? Que distância é essa quando nosso combustível é o olho-no-olho?
– É você. É você.
– O que?
– Que me tirou da abstinência de amar. De me pertencer. De não me entregar. Você quem me deu a mão e tirou da escuridão. Que não guia meus passos, mas acompanha minha jornada, que está apenas começando, mas tenho a certeza absoluta que quero trilhar ela ao seu lado. Só com você. É você é mais ninguém. Só peço que tome cuidado.
– Sentimento é feito cristal. Requer cuidado e zelo. Você é meu cristal mais precioso.
– Quero te encontrar. Não, tenho a necessidade de te encontrar.

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