O Barrense


2 Comentários

Café

friends-with-benefits

De promessas pela metade e sonhos a realizar nossa relação está cheia. Transbordando. Uma vertente que não temos ideia de como fazer parar. Que não pare. Que ela seja combustível para brigas e recomeços. Então senta no tapete comigo e me ajuda a organizar cada uma delas, pra facilitar na escolha de qual iremos concretizar hoje.

Não sei o que tem de extraordinário em nós, mas pode apostar, têm. Talvez seja a forma como nos conhecemos: o Tinder. Curioso lugar pra procurar romance. O amor é isso: procurar a pessoa certa no lugar errado e em raríssimas oportunidades ser surpreendido. Você foi e será a melhor surpresa que a vida tinha/tem pra mim. E surpreendente é o que tu causa em mim: um revoar de borboletas. Não tenho ideia de onde elas surgiram, por muito tempo até desacreditei que existissem. Acredite, elas existem. Basta você estar disposto a recebe-las em seu jardim.

Pode ter sido o acaso, destino, coincidência, o cupido, se já estava escrito, o universo conspirando a nosso favor ou alguma cartomante leu nossa sorte por engano, de alguma forma nos encontramos, pra não nos perdermos mais. Mentira! Me perco toda vez que te reencontro. No teu sorriso, desses que não canso de dizer que é raro, que se vê quatro ou cinco vezes na vida. Ou no teu olhar, esse que concentra tua atenção em mim e garante que sou a pessoa mais importante da tua vida naquele instante. Estar perdido contigo é ter a certeza que encontrei meu caminho. É ir, sem se importar com destino certo, basta saber que será ao teu lado.

Fecha os olhos e escolhe uma promessa ou sonho pra gente realizar. Qualquer uma, desde que envolva nós dois.

“Café”, vamos?!

(Contei que eu nem gosto de café? Mas confesso que gosto da maneira que você segura à xícara com as duas mãos – pra sentir o conforto da bebida quente. Contei que eu gosto de ti?)


Deixe um comentário

Meu amigo gorila

78 Vocês devem estar se perguntando qual o sentido dessa imagem, não é?! Bem, não têm. Ou você já presenciou esse curioso e nada rotineiro “cliente”, naquele seu restaurante favorito, na mesa de canto que você torce para não estar ocupada ao final do dia, trajando uma camisa polo da Lacoste, e acompanhado? Imaginei que não. Sabe o que é? Nada mais natural que levar seu melhor amigo para jantar. Desfrutar duma agradabilíssima companhia. E aqui se encaixa o gorila – se houver algum cão lendo isso, sinto lhe informar, mas não é apenas você o “melhor amigo do homem”. Ele não é humano. Tá, eu sei, é óbvio. Então, justamente por não ser humano as chances dele te frustrar são minimas. Posso afirmar: ele não vai te desapontar. Com o tempo você até esquece das relações humanas. Dica: mantenha “amigos” humanos ou você acabará num manicômio, conversar com animais não é completamente aceito pela sociedade moderna, a não ser quando você está sozinho com seu amigo-animal. A grande desvantagem é que você sempre pagará a conta. Mas você  já se perguntou quanto desembolsaria por uma relação sem inveja e egoísmo? Não tem preço, nesse caso, o jantar e o táxi para o zoológico.

Não sei como você tem andado, espero que com os pés, e de olhos bem abertos pra perceber como as coisas saíram dos eixos. Os humanos estão confundindo tudo. Jogaram os sentimentos num cesto de roupa suja e deixaram lá. Num canto. Como se fosse sem importância. E aqui retornamos ao gorila. Animais em geral costumam ser ótimos confidentes – a não ser gatos, eles não dão a mínima pra você, são humanos de quatro patas. Guardam segredo como ninguém – um papagaio talvez não. NÃO SÃO INTERESSEIROS. E retribuem afeto em dobro, sem cobrar nada em troca. Tua grande preocupação será o veterinário, a não ser que você seja um, esse será o único intruso na relação de vocês. Na verdade duas: a perda. Não, não envolve traição. Esqueci de avisar: eles são fiéis. Morreriam por você. Bem, a questão é que eles não são eternos. Os cães, por exemplo, nos deixam mais cedo do que deviam. Vê-los partir é do curso natural da vida. Lidar com a perda não será fácil. A dor será tua companhia em cada recordação. Esse vazio não será preenchido. Nunca. Será morada de boas lembranças. Uma casinha que você sempre poderá visitar. Ficar o tempo que quiser e ter a certeza que amizades não morrem. São eternizadas em nós.

Leve seu amigo pra jantar, mesmo que ele seja um gorila e contrarie as normas sociais.


4 Comentários

Em cartaz

IMG_3933.JPG

Você disse que não quer reprisar o passado. Que decorou as falas desse filme. Que tem medo da nossa relação ser apenas uma refilmagem de tudo que já viveste. Uma versão repaginada do sofrer. Peço que deixe a desconfiança de lado. Acredita na nossa história, essa que sequer começou.

Leia o script. O que achou da personagem? Só consigo pensar em ti pra contracenar comigo, mas com uma condição: não leve a bagagem que tu carregas pro set de filmagem. Esse baú repleto de retalhos do passado. Que te impede de se entregar a personagem. Que te prende ao passado feito âncora. Viver no passado pode acabar estragando o presente. Aceita esse novo papel. Peço que leia o roteiro e considere a proposta. A trama parece boa. Um jovem casal formado por um desses tantos aplicativos que propõem encontros casuais. Caminhos opostos e personalidades conflitantes. Destino incerto e um amor inesgotável entre ambos. Alguns obstáculos pra superar e muitos sonhos a realizar. Clichê?! O final feliz só depende de nós.

Aceita, quero ler teu nome quando os créditos subirem. Quero dividir o camarim contigo. Errar a cena só pra estender o tempo contigo. Quero estar ao teu lado na noite de estréia. Quem sabe receber uma indicação da academia por melhor roteiro original.

Em relação ao teu passado: histórias não se repetem. Mudam-se os protagonistas e coadjuvantes. Cenários e circunstâncias. Cada um carregando seu próprio infinito de possibilidades e aleatoriedades. Então não espere de nós aquele filme desbotado que te fez sofrer. Contracena comigo nessa vida.


1 comentário

Paixão colegial

school-lovers

#Repost

Inicio de ano letivo. Segundo ano do ensino médio. Manhãs tediosas intermináveis. Meninas mulheres e homens meninos. E Matheus era só mais um coadjuvante no colégio. Tímido. Apenas vivendo, sem esperar nada. Mal sabia ele, mas o destino tramava uma das suas. Pra ser pratico: morena, um metro e sessenta e dois centímetros, olhos negros… Enfim, Matheus se apaixonou na primeira troca de olhares. Aquela paixão intensa, uma confusão entre sentimentos e hormônios aflorando.

Qual seria a chance de Matheus? Matematicamente? Uma em um milhão. Remotas, vamos encarar a realidade: seria mais fácil um vulcão adormecido entrar em erupção do que Matheus conquista-la.

A timidez barrava qualquer iniciativa de Matheus. Portanto, o pontapé inicial deveria vir de Luana. Sim! Ele descobrira o nome dela, obviamente da maneira mais cotidiana do ensino escolar: chamada.

Quarta-feira: Matemática nos dois primeiros períodos e filosofia nos dois seguintes. Matheus chegou cedo ao colégio, sentou no lugar de sempre, tudo conforme sua rotina. Já Luana era o completo oposto: atrasadíssima!

Atrasada pelo fato do destino, travestido de cupido, alterar a rota previamente estabelecida.

A sala semelhante a um formigueiro.  E, surpreendentemente, ninguém estava sentado ao lado de Matheus e, ainda mais intrigante, não por sua chegada, transluzindo graça e dissipando o sono que deprimia Matheus, mas por seu atraso incomum. Luana entra na sala – aquela clássica cena de filme que ocorre em câmera lenta e a atriz com cabelos soltos ao vento. Adivinhem? Luana sentou ao lado de Matheus.

(Pausa para ouvirmos o coração de Matheus disparar: Tum, Tum Tum,  Tum Tum Tum, Tum Tum Tum Tum…)

Por fora indiferença, por dentro, ele estremecia. Jamais sentiu algo semelhante. Uma explosão de adrenalina em sua corrente sanguínea.

A aula seguia como de habito: chata. Extremamente chata. Incrivelmente chata. Nenhum acontecimento considerado prazeroso, a não ser a presença de sua paixão instantânea. A paixão por uma simples e mera troca de olhar. Matheus cultiva, mesmo sem saber se é recíproco.

Luana demonstrava desconforto por cabelos soltos – costumava usa-los desta maneira, porem, hoje, algo lhe atormentava; os cabelos criaram vida e rebelaram-se contra ela, uma clara afronta perante sua beleza inenarrável. E, novamente ele, o destino apimentando e reconstruindo os trilhos do tempo. Luana chegara atrasada por causa de um velho despertador; despertador este construído na Suíça, que não fez jus a precisão histórica, pois foi afetado por um sentimento nobre: o amor. O jovem encarregado pela montagem do relógio estava atordoado e visivelmente com a cabeça em outro lugar – em virtude de sua amada deixa-lo. Resultado? Relógio mal-acabado. Passou despercebido pelo controle de qualidade, consequência da despedida de solteiro do revisor de relógios, especialmente inspeção do dispositivo despertar. O que isto gerou? Atraso com precisão cirúrgica de dez minutos. A tardança desatinou a manhã de Luana. Justamente o que ela esqueceu? O estojo escolar. Este seria o cupido entre Matheus e Luana.

Visivelmente desacorçoada, com cabelo solto, Luana tomou atitude inesperada. Virou-se na direção de Matheus e indagou:

- Você tem um lápis?!

Desta maneira, direto, sem floreios. Matheus não esperava, como um golpe, acusou, gaguejou.

- Sisisi, sim.

A situação só não foi constrangedora pelo alvoroço de Luana.

Matheus lhe emprestou o lápis. E, fugindo da normalidade, Luana utilizou o lápis para fazer um coque no cabelo. A maneira com que ela fez o coque encantou Matheus. Jamais tinha visto tamanha beleza. Um verdadeiro balé entre mãos. Movimentos rápidos e sinuosos. Por fim o lápis para manter o coque. Matheus quase a aplaudiu.

Ele olhou sem jeito. Ela sorriu. Ele sorriu por vê-la sorrir.

- Obrigado pelo lápis. Não suportava mais o cabelo me incomodado os olhos.

A aula extremamente chata tornou-se incrível. Luana e Matheus ignoravam os problemas matemáticos e conversavam, de uma forma estranhamente familiar, como se conhecessem há tempo.

Ela brincou:

- Gostei do lápis. Meu numero.

Ele respondeu, instintivamente:

- Pode ficar. Presente pelos anos que não te conheci.

Após a frase, notou a inacreditável besteira que havia dito.

Ambos ficaram vermelhos. Ele por responder quase que como um ato impensado e desconhecido em sua personalidade – de fato, a sagacidade estava em seu âmago, como um leão adormecido, sendo acordado em momento oportuno. Ela ficara vermelha por não esperar o flerte. Acusou o golpe.

Desta quarta feira em diante passaram a serem colegas de classe, lado a lado. Confabulando suas historias, seu dia a dia, suas minúcias em particular. Suas singularidades em comum. Como que separados na maternidade, foram feitos um para o outro. O acaso os separou e, com auxilio do destino, tratou/tramou de uni-los.

O cupido havia disparado duas flechas, ou seria um lápis?


Deixe um comentário

Sobre ser capitão

350012_more_korablik_na-gorizonte_1920x1200_(www.GdeFon.ru)

O sol preguiçoso desponta no horizonte. O nevoeiro está se dissipando. Você lança a bolina e vira a popa. Segue pelo canal sul, passa o pescoço rochoso, contorna a ilha grande, soa a sirene e joga uma onda no filho do faroleiro na ilha de Santa Maria. As aves chegam: os mergulhões, as gaivotas e os patos selvagens. O sol te queima. Você segue pro norte, vai a doze nós, só no vapor. As suas costas medo e angustia estão ancorados em terra firme. À sua frente céu e mar se fundem num só. Você lança o pouco de sorte que lhe resta, o bastante. A bússola indica a direção. Cartas náuticas traçam o caminho. A brisa marítima lhe toca o rosto e você percebe que tem a imensidão azul como seu quintal. A tripulação está ocupada e você no comando. Sabe de uma coisa? Você é o capitão de um barco. Tem coisa melhor no mundo?


2 Comentários

Mariana

tumblr_lqijfhC2qK1qjke6jo1_r1_500

Sempre gostei de caminhar à beira mar pela manhã. A solidão como companhia, aquele momento seu, íntimo. Caminhar sem rumo. Refletir. Sentir a brisa marítima acariciando o rosto. O sol preguiçoso despertando. O inconfundível som emitido pelo quebrar das ondas. Além de ser um belo exercício matinal.

- Pedro – disse alguém, interrompendo o vazio em que me encontrava.

Ergo a cabeça e passo a procurar de onde vem o chamado. Não reconheço ninguém, apenas uma moça acenando e correndo na minha direção. Na certa havia me confundido com alguém.

- Pelo jeito ainda gosta de caminhadas pela manhã – disse ela, se aproximando.

Sorri por conveniência.

- Não me reconhece?

Na certa minha expressão me entregou. E confesso que não faço a mínima ideia de quem ela é. Forço a memória e… Nada. Das duas uma: minha memória me traiu ou as portas do manicômio mais próximo se abriram.

- Sou eu, a Mari.
– Mariana do terceiro ano?
– Claro, quem mais?! – disse ela, sorrindo.

Após sorrir, uma enxurrada de lembranças me vieram à cabeça. Como pude me esquecer daquele sorriso? Mari, por quem nutri uma paixão platônica durante o ensino médio.

- Mari, não acredito, quanto tempo, como tu mudou – disse, tentando minimizar minha bola fora.

De fato ela havia mudado. Se tornou ainda mais bela, mas conservava o mesmo sorriso de sete anos atrás. Desses sorrisos raros que você vê quatro ou cinco vezes na vida.

- Não quer me acompanhar? – disse.
– Não vou te incomodar?
– Tu? Me incomodar? Nunca. Será um prazer ter tua companhia.

E assim passamos a caminhar, lado a lado, com o mar nos fazendo companhia. Começamos a conversar despretensiosamente. Literalmente colocando o “papo” em dia. Contei a ela que minha vida seguia monótona. Me formei e ainda morava no interior. Dos meus sonhos realizei poucos. Ela me falava de suas viagens, as duas trocas de curso, o quanto era injusta a guerra no oriente médio, suas desilusões amorosas e como estava difícil encontrar o homem certo. Foi quando involuntariamente disse pra ela:

- Eu gostava de ti.
– Gostava? No passado? Não gosta mais?
– Pra ser sincero: quando te vi você mexeu comigo.

Ela sorri e fica sem jeito. Eu fico sem jeito por ela sorrir.


– Pedro, essa é a hora que você me beija.

Nunca tive sensibilidade para compreender esses momentos. Por sorte, ela tinha. E atitude também.

Nos beijamos, e foi como se tivesse 15 anos outra vez. Sugado pro passado instantaneamente. Revivendo aquela paixão que tanto idealizei e jamais tive coragem pra confessar. Nunca foi tão bom o passado bater a minha porta.

Passamos a manhã trocando beijos e abraços, relembrando o passado e traçando o futuro. Marcamos de sair à noite, quem sabe marcamos uma vida a dois. Quem sabe.


3 Comentários

querido coração,

coraçaovsrazao

Temos intimidade suficiente para nos poupar dos rodeios e ir direito ao ponto: eu avisei! Deixei um recado em letras garrafais: não coloque tua felicidade nas mãos de outra pessoa. NÃO DEPENDA DE OUTRA PESSOA!

Deixo minha vida por tua conta e quando retorno me deparo com essa bagunça e tu em pedacinhos espalhado por toda casa. Vou reunir teus cacos e te refazer. E quando estiveres inteiro novamente me prometa que vai segurar minha mão pra eu te mostrar por onde devemos andar, pra te mostrar que nem sempre é ruim não ter razão.

Não quero dar lição de moral, mas tenho algumas dicas. Reflita e tire conclusões de tudo que nos aconteceu. Onde erramos e como podemos melhorar. Não sei se você percebeu, mas descobrimos novos conceitos para o fundo do poço… Antes de se entregar novamente te peço que deixe cicatrizar as feridas, que não são poucas, do vendaval personificado de mulher que te despedaçou. Nossas estruturas abaladas precisam de tempo pra se recompor. Tire férias. Descansa. Te indico aulas de razão e lógica com o cérebro, deixe de ser tão passional e ingênuo.

Proponho um trato: você deixa de se apaixonar pelo primeiro rabo de saia sinuoso que te encanta e eu elimino todo e qualquer tipo de gordura do meu cardápio. Você esquece por algum tempo tua paixão platônica por coques e eu introduzo vegetais na minha dieta. Você deixa de criar expectativas e fantasiar e eu passo a me exercitar diariamente.
É só por algum tempo, até que você atinja maioridade/maturidade e deixe de agir feito adolescente. Então, concorda?

Quando receber essa carta, me avisa.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 5.475 outros seguidores